A CRISE ECONÔMICA E OS AUTÔNOMOS DO BRASIL


A crise econômica pela qual o Brasil vem passando, continua afetando milhares de brasileiros segundo último levantamento divulgado em abril pelo IBGE (Instituto de Geografia e Estatísticas). O número de desempregados no país, atingiu a marca dos 13,7 milhões. Apesar de levarmos em consideração que esse cenário já esteve pior, tais dados não são suficientes para amenizar os transtornos causados pela baixa na economia, tampouco eleva a expectativa do brasileiro quanto a retomada do emprego.

 Isso talvez explique por outro lado, o aumento de prestações de serviços e vendas "informais" ou o que podemos chamar de "atores autônomos" pelas cidades. Em Buri não é difícil encontrar pessoas trabalhando nas ruas, seja vendendo produtos (roupas, perfumes, produtos de limpeza, etc) ou alimentos (bolos, salgados, pães, doces em geral). Também percebemos a grande procura por profissionais liberais que oferecem serviços, entre eles (pedreiros, eletricistas, técnicos em informática, cabeleireiros, fotógrafos, personal trainer, etc).

 É o brasileiro virando-se nos trinta para conseguir honrar seus compromissos, através de seus próprios esforços e talentos. Andando pelas ruas centrais da cidade não foi difícil encontrar pessoas que represente essa nova realidade. Raimundo Garcia de Araujo Neto de 32 anos é vendedor ambulante e foi um dos que topou falar um pouco sobre seu trabalho e os motivos que o fizeram deixar Vista Serrana (PB).

Ele iniciou sua trajetória vendendo produtos de artesanato (redes, cobertas, lençóis, etc) há 15 anos, quando ainda tinha 17 anos de idade e desde então optou junto aos demais colegas, arriscar a vender seus produtos pelo sudeste brasileiro, já que segundo ele, os produtos por aqui agregam mais valores. Ele, assim como grande parte dos vendedores ambulantes não recebem salário fixo, ou seja, se vender ganha. As férias também dependem das vendas; três meses bem trabalhados aqui, podem garantir pelo menos "dois" de descanso na Paraíba.

Raimundo disse ainda que trata-se de um hábito cultural local. Segundo ele, meninos entre 15 e 16 anos geralmente vem para o sudeste em busca de oportunidades, outros acabam seguindo exemplos de pessoas que vieram com o mesmo propósito. Em alguns casos, algumas dessas pessoas encontram oportunidades diferenciadas de trabalho e a partir dai, se estabilizam. Quando isso não ocorre, voltam para suas cidades de origem ou seguem seus itinerários.

Raimundo informou ser motorista de caminhão, mas que já se acostumou com as vendas e não consegue se ver em outra atividade. Perguntado sobre um fato inusitado ou feliz que tivesse marcado sua memória durante esse período, Raimundo limitou-se em dizer que já encontrou bichos diversos durante as viagens, viu um avião atravessando a rodovia a poucos metros de seu caminhão e destacou os inúmeros acidentes presenciados.

Perguntado sobre um fato triste, com poder de efeito de memória similar, ele apontou uma situação em que havia presenciado um acidente de caminhão com vítima fatal e que na ocasião não pode ajudar.

 O nordestino de 32 anos informou que sente- se bem e tranquilo em Buri, destacando a cordialidade e a simplicidade dos burienses, assim como nas demais pequenas cidades por onde passa. Porém destacou a indiferença como ele e os demais colegas são tratados em grandes centros.

 Apesar do hábito com as vendas e de ter sugerido anteriormente satisfação e que não trocaria seu ramo de atividade, Raimundo sem perceber, na medida em que disse qual seria o seu maior sonho, abriu o coração e revelou exatamente o contexto inicial dessa matéria:

 - Rapaz, meu sonho mesmo é ver esse Brasil mudar viu. Mudar pra melhor, pra todo mundo ter meios de emprego, todo mundo poder trabalhar. Não pra mendigar igual vemos um bocado de gente que precisa sair dos cantos pra outro. Que nem nós mesmo né, nós saímos de um canto pra vir atrás de emprego aqui, se tivéssemos um Brasil melhor, não precisaríamos vir pra cá, né não? Meu sonho é ver todo mundo com emprego e ver o Brasil indo pra frente e não pra trás do jeito que está. 

De uma forma ou de outra, apesar dos transtornos serem inevitáveis, os brasileiros estão se superando e não se intimidaram com a crise. São 13,7 milhões deles sem carteira assinada, mas são também milhões de guerreiros que não deixaram a peteca cair e que podemos dizer com toda certeza; estão levando o gigante nas costas.

 Por Buri Conectado
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