O URUGUAIO: A HISTÓRIA DO ARTISTA INVISÍVEL DO SEMÁFORO.


A mudança de cor do farol na Pascoal Spaluto, Centro de Buri, é a deixa para o artista Francis Rodriguez de 30 anos entrar em cena: o sinal passa de verde a vermelho e ele ganha a extensão da rua fazendo malabarismo ao jogar clavas por entre a faixa. 

Francis deixou sua cidade natal "Maríndia no Uruguai" a pouco mais de um ano. Por decisão dele próprio não o identificaremos em imagens.

Inicialmente o jovem uruguaio se aventurou como tatuador, atividade que praticava em casa, mas por conta da chegada de um colégio em frente sua residência instalado pela prefeitura local, decidiu interromper, por pensar que não seria algo interessante para aquelas crianças.

Antes de pegar a estrada e vir para o Brasil, ele pensou em criar  no lugar de seu estúdio de tatuagem um espaço que agregasse conhecimento e cultura. O local serviria para que as crianças daquela escola tivessem a oportunidade de trocar e absorver mais conhecimentos e experiências, através de "artistas viajantes" que passariam por sua cidade.

A ideia na ocasião não frutificou ação e posteriormente Francis pegou a estrada, carregando apenas sua mochila e seus equipamentos de trabalho. Ao chegar no Brasil, parte desses equipamentos já haviam estragado. Segundo ele, haviam molhado nas chuvas que pegou pelo caminho.

O fato de não ter mais condições de trabalhar como tatuador e o orgulho de um jovem que não quis voltar de mãos abanando para sua casa, fez com que ele seguisse viagem. Foi então que conheceu alguns artistas de rua e também viajantes, que posteriormente o apresentou a arte do malabares.

Apesar da aptidão em trabalhar nas ruas, sente-se incomodado pelo fato das pessoas confundi-lo com mendigo. Citou como exemplo uma ocasião em que após uma apresentação de malabarismo, um condutor lhe entregou uma determinada quantia em dinheiro e sugeriu que já poderia "tomar umas pingas".

O jovem informou já ter passado por três cidades brasileiras num só dia, fazendo malabarismo nos semáforos. A jornada de trabalho e o tempo em cada cidade depende segundo ele, da arrecadação, custos com alimentação e hospedagem. Perguntado sobre a média de ganhos, ele não soube dizer já que o lucro é rotativo devido os custos diários.

Em dezembro desse ano o jovem uruguaio pretende retornar para seu país. Segundo ele, toda trajetória pelas estradas do Brasil servirá como exemplo, não apenas para as crianças da escola em frente sua casa, mas pra todos de seu circulo. Ele mesmo pretende ser "o viajante" que tentará mostrar aos seus, que existe formas diferentes de se viver e que não precisa necessariamente ser programada.

Para Francis a liberdade é fundamental para o ser humano. A liberdade no qual ele se refere não é necessariamente no sentido literal, mas segundo ele, é viver de uma forma não programada pela sociedade (estudar, crescer, trabalhar, casar-se, pagar seus impostos e se aposentar).

A ideia do uruguaio não é pintar a "liberdade" de forma poética, mas sim de ilustrar àqueles que o questionarem a cerca de suas aventuras, qual o preço estariam dispostos a pagar para serem livres.

Em seu "Grand Finale" Francis pretende olhar para sua vida e perceber ao menos que tentou fazer algo diferente.

Imagem Ilustrativa
Por Buri Conectado


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