Antes de compartilhar ou apoiar listas de boicotes, parem e reflitam: um parente seu, um amigo, um vizinho ou alguém que você conhece pode estar nessa lista e ser atingido por perseguições, perda de clientes, desemprego ou demissão. Desejar fome, desemprego e dificuldades para outras pessoas por causa de suas posições políticas não combina com os princípios cristãos de amor ao próximo, compaixão e respeito. Não podemos defender valores humanos e, ao mesmo tempo, desejar o sofrimento de quem pensa diferente.

Buri é uma cidade pequena, onde todos se conhecem. A gente se encontra na padaria, no mercado, na igreja, nas ruas. Amanhã, quem você tentou prejudicar por pensar diferente pode estar ao seu lado, precisando de ajuda ou simplesmente dividindo o mesmo espaço que você.

Não caiam em narrativas que transformam vizinhos em inimigos. Quem hoje estimula divisões e boicotes poderá, daqui a dois anos, estar batendo à sua porta e pedindo seu voto nas eleições municipais. A reflexão que fica é: vale a pena destruir relações, prejudicar famílias e alimentar o ódio por causa da política? Você tem todo o direito de questionar o resultado das urnas, cobrar transparência e expressar sua opinião. Mas também é preciso respeitar as regras democráticas e reconhecer que cada pessoa tem o direito de pensar por si mesma.

Cada indivíduo tem sua história, sua realidade e seu ponto de vista. E isso não é ruim. Isso é maravilhoso. A diversidade de opiniões faz parte da democracia, e ninguém deveria perder o direito de trabalhar, empreender ou viver com dignidade por causa de seu voto. O povo buriense é bom, solidário e tem um histórico de participação em inúmeras campanhas sociais. Nossa população já se mobilizou para ajudar pessoas de outras cidades e estados atingidos por situações climáticas extremas, demonstrando que a solidariedade não conhece fronteiras nem diferenças.

Não permita que envenenem seu coração com ódio e rancor. Não deixe que a política apague aquilo que Buri tem de melhor: a capacidade de se unir para ajudar quem precisa. Eu acredito na sociedade buriense. Acredito que ainda somos capazes de olhar uns para os outros com respeito, estender a mão e compreender que nossas diferenças não precisam nos separar.