Buri é referência na preservação do mico-leão-preto, espécie ameaçada de extinção que habita remanescentes da Mata Atlântica no município: Foto: Conexão Planeta/ Divulgação

Michel Lopes 22/05/2026

Especialistas, ambientalistas e defensores da fauna celebraram na última quarta-feira (20) o Dia do Mico-Leão-Preto em Buri (SP). Instituída pela Lei Municipal nº 495/2009, a data é voltada à conscientização ambiental e à preservação de uma das espécies mais raras e ameaçadas da fauna brasileira. Símbolo da conservação ambiental no interior paulista, o primata vive em áreas remanescentes da Mata Atlântica.

Por abrigar populações do mico-leão-preto em seu território, Buri tornou-se referência para pesquisadores, fotógrafos da natureza, estudantes e especialistas do Brasil e do exterior, que visitam o município em busca de informações, estudos e registros da espécie.

O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) chegou a ser considerado extinto no século passado, mas voltou a ser encontrado em fragmentos de Mata no Vale do Paranapanema. Em Buri, há registros de grupos vivendo em áreas de vegetação nativa, o que coloca o município em posição de destaque nos estudos voltados à preservação ambiental.

A espécie ocorre exclusivamente no estado de São Paulo e está classificada como ameaçada de extinção. Entre os principais riscos à sobrevivência do animal estão o desmatamento, as queimadas e a fragmentação das matas, fatores que dificultam a circulação, alimentação e reprodução dos grupos.

A presença do primata reforça a importância da preservação das áreas verdes existentes em Buri. Os fragmentos florestais do município servem de abrigo e fonte de alimento para a espécie, além de contribuírem diretamente para a manutenção da biodiversidade regional.

Conhecido pela pelagem escura com detalhes dourados, o mico-leão-preto vive em grupos familiares e desempenha papel fundamental no equilíbrio ambiental, especialmente na dispersão de sementes e regeneração das florestas. Sua alimentação é composta por frutas, insetos, pequenos animais e néctar.

Os biólogos e médicos-veterinários Laura Romano Vieira e Vinicius Salomão fundaram, em 2016, o Projeto Saíraitá, iniciativa dedicada à conservação do mico-leão-preto. O trabalho desenvolve ações voltadas à produção de conhecimento, divulgação científica e proteção da espécie por meio de educação ambiental, fotografia, pesquisa, envolvimento comunitário e turismo ecológico.

Os especialistas também promovem atividades em escolas e comunidades locais com o objetivo de reforçar a importância da preservação das florestas. Segundo os responsáveis pelo projeto, a missão é fortalecer a conexão entre ciência, conservação e comunidade, contribuindo para a proteção do território do mico-leão-preto e da biodiversidade regional.

Como parte das celebrações, a ASPAB (Associação de Proteção Ambiental Buriense) realizará no próximo sábado o plantio de 44 mudas de ipê-roxo, em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A ação integra uma série de iniciativas da entidade voltadas à ampliação das áreas verdes e à preservação do habitat natural da espécie no município.